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Última edição / Carta ao leitor
 

Uma imagem vale mais que mil palavras. Esta polêmica expressão sempre volta à tona em debates que opõem fotógrafos a jornalistas, escritores a artistas plásticos. Mas há, de fato, imagens irretocáveis, daquelas que não precisam de explicação, que por si só se bastam.


A história deixou um grande legado nesse sentido. A fotografia, por exemplo, da menina Thi Kim Phuc, correndo nua e chorando, após um ataque a sua vila vietnamita. A cena do presidente estadunidense John F. Kennedy sendo baleado no banco de trás da limusine presidencial. A Mona Lisa de Da Vinci. Os portugueses colocando cravos nos fuzis dos soldados em 1974. O grande cogumelo nuclear que se ergueu em Hiroshima na Segunda Guerra Mundial. A versão heróica (e inverossímil) de D. Pedro I brandindo a espada ao declarar a independência, com os soldados arrancando do próprio uniforme os brasões imperiais. O World Trade Center, em Nova York, em chamas após o choque de dois aviões, em setembro de 2001. Às vezes, uma imagem até ganha o tempero de uma frase, como o caso da linha de ônibus carioca 174 que, seqüestrado por um assaltante, teve uma janela rabiscada com os dizeres “ele vai matar geral”.

 

Esta 19ª edição de Desvendando a História vem provar o peso de uma imagem. Começando pela reportagem de capa: China. O país que neste ano recebe os Jogos Olímpicos e parece finalmente caminhar no sentido da abertura política, já foi também o país que matou milhares de estudantes na praça da Paz Celestial, aquela mesma em que um manifestante enfrentou uma coluna de tanques, imagem que marcou a ditadura chinesa. O entrevistado desta edição, Orlando Duarte, nos faz recordar de várias imagens emocionantes da história do esporte. Entre elas, a performance da platéia que fez o urso Misha chorar no encerramento dos Jogos de Moscou de 1980. O navio Kasato Maru ancorado no Porto de Santos, há cem anos, é a imagem que deu início à imigração japonesa no Brasil, relembrada entre outros viajantes na seção História Ilustrada. Enfim, desde o cangaço (pág. 16), que ganhou repercussão nacional graças ao trabalho do fotógrafo Benjamim Abraão com Lampião, até os azulejos da Osirarte (pág. 42), que remodelaram a arquitetura de muitos edifícios país afora com desenhos de nomes como Portinari e Volpi: uma boa imagem também ajuda a desvendar a história.


Um grande abraço!


A Redação de Desvendando a História




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