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Apesar de já terem descoberto salas, corredores,
inscrições e sarcófagos, pesquisadores não
logram identificar onde estão os restos mortais
do
famoso rei da 4ª dinastia
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Cerca de 4,5 mil anos nos separam da época da construção
das célebres pirâmides de Gizé, nas proximidades
do Cairo, capital do Egito. Elas parecem repousar no
divã da eternidade, mas a aparência sólida e magnífica
camufla a intensa atividade humana que um dia ali existiu.
Como qualquer monumento arquitetônico, essas obras são
fruto da elaboração cultural e mental daqueles que as construíram.
Mas, por vezes, quando vistas somente pelo viés técnico,
esse fato é completamente esvaziado.
Os primeiros monumentos funerários da realeza remetemàs duas primeiras dinastias, de 3100 a 2686 a.C., aproximadamente.
Eles foram edificados na necrópole de Ábidos
(no sul do Egito) e eram constituídos de uma gigantesca
mastaba (estrutura em alvernaria que dá acesso a uma
câmara funerária). Os tijolos não eram cozidos e ficavam
sobre uma série de câmaras subterrâneas, onde seriam depositadas
as provisões do rei e, ao centro, seu corpo. A fachada
imitava a do palácio real. O monumento, circundado
pelas mastabas dos membros da corte.
Gradativamente, o desenho da construção foi adaptadoàs necessidades de novas concepções religiosas que surgiam.
Logo, um corredor descendente passou a ligar o nível
do solo à câmara funerária, tornando possível terminar a
obra antes do sepultamento do rei. Esse corredor continuou
nos projetos das pirâmides, tendo sua entrada no
corpo do edifício ou saindo do chão.
No final da 2ª dinastia surgiu, paralelamente, um tipo de
palácio funerário constituído de uma muralha retangular,
uma capela e um monte de topo achatado próximo ao centro
do complexo, onde o rei desempenharia seus rituais no pósvida.
No exterior, também foram descobertos vestígios de
embarcações que, tal como nos complexos das pirâmides da
4ª dinastia, teriam simbolismo relacionado ao deus-Sol Rê –
o popular Amon-Rá – e à viagem do rei morto ao além.
Escada para o céu
Na 3ª dinastia, o rei Netjerikhet Djoser incumbiu seu arquiteto,
Imhotep, de fazer seu túmulo não em Ábidos, mas
em Saqqara, ao norte da capital, Mênfis. Seguindo o modelo
do palácio funerário de Khasekhemwy, Imhotep trocou os tijolos
por blocos de calcário, criando o primeiro monumento
em rocha conhecido.A mastaba original, ao centro, passou
por aumentos sucessivos, até que o arquiteto teve a originalidade
de, sobre ela, erigir mais três. Não satisfeito, possivelmente
porque a muralha do complexo encobria parcialmente
o edifício para quem o via de fora, resolveu acrescentar
mais dois andares após fazer as devidas ampliações na estrutura.
Assim surgiu a primeira pirâmide de degraus que, segundo
textos funerários posteriores, simbolizaria uma escada
em direção ao céu, pela qual a alma do rei ascenderia.
O complexo funerário de Djoser contava ainda com
uma série de capelas que representavam o Alto e o Baixo
Egito, pátios cerimoniais, além de uma teia de estruturas
subterrâneas sob a pirâmide, algumas das quais decoradas
com pastilhas de calcário vitrificado azul-esverdeado,
que imitavam as paredes de juncos do palácio real. Outros
reis da dinastia seguiram o projeto do túmulo de Djoser,
embora seus complexos mortuários não tenham sobrevivido
integralmente. |