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A CÂMARA SECRETA DE QUÉOPS
 

Inovações da engenharia
O próximo passo se dá na 4ª dinastia, com Snefru. Inspirado em um monumento piramidal do final da 3ª dinastia, em Meidum, nas proximidades de Saqqara, ele resolveu acabar com os ângulos pronunciados dos degraus do monumento, fazendo deste uma pirâmide verdadeira. Contudo, a estrutura parece não ter suportado bem as modificações, e o edifício ruiu, restando somente o núcleo central.

 

Apesar desse infortúnio, é possível perceber no complexo uma série de modificações importantes. As muralhas e as capelas que havia no monumento de Djoser foram abandonadas em prol de um novo projeto, no qual duas capelas funerárias, uma ao pé da pirâmide e a outra próxima à área cultivada, se uniam por meio de um corredor coberto, formando um eixo leste–oeste. Elas indicavam a importância do movimento do Sol e seu simbolismo. Esse projeto teve diversas adaptações e ampliações nos reinados seguintes, mas o plano estrutural permaneceu intocado.

Outra inovação técnica ocorreu no interior do monumento, que adquiriu um teto abobadado na câmara funerária.Esse artifício provou a perspicácia dos construtores ao compreender a dinâmica das forças nesses monumentos. Essa mesma sagacidade foi amadurecendo à medida que novos monumentos iam sendo construídos e “testados”, provando que são tão humanos em sua concepção e elaboração quanto quaisquer outros edifícios – sem necessitar de nunhuma ajuda alienígena, como sugerem alguns.

 

Primeiros gigantes
Pelo motivo das intervenções na pirâmide da 3ª dinastia não terem dado muito certo, Snefru ordenou que lhe fizessem uma exclusiva mais ao norte, em Dahshur. Projetada para atingir 128,50 metros, ela repetia algumas estruturas da anterior, como câmaras internas com abóbadas e o corredor ligando os templos entre o vale e a pirâmide. Contudo, fissuras começaram a aparecer no interior por causa das pressões. Para evitar o pior, o ângulo da pirâmide foi diminuído em cerca de 10 graus.


Mas foi no reinado de seu filho Khufu – ou Quéops, como é conhecido em Português – que essa estrutura arquitetônica se consagrou na monumentalidade: 146,6 metros de altura. Segundo estimativas, seus blocos, juntos aos das pirâmides de Quéfren e Miquerinos, se colocados lado a lado,poderiam formar uma muralha de cerca de 3 metros de altura em torno da França, o que equivale mais ou menos ao Estado da Bahia.Para sua construção,o rei escolheu um local mais ao norte, o platô de Gizé, onde, após o devido preparo da superfície rochosa com escavações, foram feitas medições astronômicas,de modo que a geometria do monumento fosse tão perfeita quanto o pós-vida que o rei deveria ter. Sua nova aparência faria alusão à montanha mítica da criação e ao ciclo das cheias do rio Nilo.

 

Cadê o rei?
Ao imaginarmos um corte longitudinal do edifício, poderíamos notar três câmaras: uma subterrânea e inacabada – seguindo a tradição desde a 1ª dinastia, só que 30 metros mais profunda – e
duas outras no corpo do edifício, chamadas de “câmara da rainha” e “câmara do rei”, além de um grandioso corredor abobadado, a “grande galeria”, que servia de passagem entre as câmaras e os demais corredores. As salas eram protegidas por uma série de câmaras de descarga localizadas logo acima dos blocos que revestem seus tetos, aliviando-as das pressões internas da construção.

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