newsletter
 

nome:

e-mail:














 
REBELDIA S/A
 

 

 

Enquanto os intelectuais discutiam a mudança dos valores da juventude na segunda metade do século 20, a indústria descobria uma nova classe consumidora

 

Os anos 60 e 70 marcaram o século 20 de forma definitiva. Foram os anos da descolonização da África e da Ásia, da revolução cultural na China, dos estudantes nas ruas de Pequim, Paris, Cidade do México, Praga, São Francisco e Rio de Janeiro. Tempos em que o apocalipse nuclear era iminente; bastava apertar botões. E da Guerra do Vietnã, da corrida espacial, da chegada do homem à Lua. A mulher começou a reivindicar direitos iguais aos dos homens, e o movimento negro se solidificou. Houve a revolução sexual, os hippies, os fundamentalistas, os revolucionários e as ditaduras militares na América Latina.


Em meio àquele turbilhão, surgiu uma maneira de pensar e se expressar: a contracultura. Foi uma resposta às incertezas da época, que trouxe à tona os poetas beatniks, os festivais de rock, as drogas, os circuitos alternativos, o underground, e nomes como Marshall McLuhan, Herbert Marcuse, Allen Ginsberg, Timothy Leary, William Burroughs e David Bowie. E por que não citar os brasileiros? O escritor José Agrippino de Paula (veja o quadro “O pai da Tropicália”), o cineasta Glauber Rocha, o movimento do Tropicalismo e, claro, o tablóide O Pasquim. Trouxe também discos antológicos, como Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles; livros como On the Road, do escritor estadunidense Jack Kerouac; sem falar na pop art, que revelou Andy Warhol, Roy Lichtenstein e Keith Haring (veja a matéria“Ironias do consumismo popular”, à pág. 39).

 

O impacto sobre a juventude da época era tamanho que os empresários da indústria logo viram a oportunidade de grandes negócios. O que, de fato, ia contra os próprios valores da contracultura. Foram redigidos muitos textos, como os de Theodor Adorno (1903-1969), contra a massificação da cultura – muitos deles, desdobramentos do clássico ensaio do filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940), intitulado “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, sobre a impossibilidade de manter a pureza de tais obras diante da sua constante reprodução por meio das técnicas de comunicação que revolucionavam aquela época.


Esse grupo de pensadores criou o termo “indústria cultural”, o modo pelo qual a sociedade capitalista manipula os indivíduos, usando os meios de comunicação de massa.“Era a forma vista pelos seus pensadores de anular as pessoas e a capacidade crítica, formando uma massaúnica que consumiria com mais facilidade poucos produtos culturais, produzidos em larga escala”, comenta o sociólogo Marcelo Tsuadashi.

<< voltar - próxima >>



Copyright © 2005
Escala Educacional