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REVOLUÇÃO ILHADA
 



Ao derrubar uma ditadura e implantar o socialismo em Cuba, os revolucionários liderados por Fidel mudaram radicalmente o panorama do continente

 

Até o fechamento desta edição, o presidente de Cuba, Fidel Castro, estava temporariamente afastado de seu posto, por estar muito doente. Em seu lugar, assumiu, em agosto de 2006, seu irmão, Raúl Castro, que acumulava outros cargos de Fidel no país: o comando das Forças Armadas e do Partido Comunista. O choque foi geral. E a pergunta, quase uníssona: como ficará Cuba, se ele morrer?


Uma pergunta difícil de responder. Afinal, a ilha está sob o governo de Fidel desde 1959, com o triunfo da Revolução Cubana, que mudou radicalmente a história do país. Mas, de alguma forma, o acontecimento serviu para, mais uma vez, tentar entender o que aconteceu em Cuba no final dos anos 50 para que o país passasse de “quintal dos EUA” a uma nação socialista. Ainda mais, como conseguiu se manter nesse regime até hoje, apesar dos embargos e outras dificuldades.


O triunfo da Revolução Cubana (veja o quadro “Guerrilha for export”), em 1º de janeiro de 1959, transformou a história de Cuba, ilha localizada a apenas 140 quilômetros dos Estados Unidos. A Revolução deu início a um processo de transformações econômicas, políticas e sociais para a construção de uma ordem oficialmente socialista. Ao mesmo tempo, alterou significativamente as relações entre esse país e os Estados Unidos, até então privilegiado pelo Governo cubano.

 

Quintal dos EUA
Antes da Revolução, a ilha estava sob a ditadura militar instaurada por Fulgencio Batista em 1952. Do ponto de vista econômico, era dependente dos Estados Unidos, já que as empresas estadunidenses controlavam setores vitais como transporte, comunicações, sistema financeiro e turismo. Além disso, era para os EUA que era destinada a maior parte da cana-de-açúcar produzida em Cuba.


A sociedade cubana estava insatisfeita, e um grupo de jovens militares armados, liderados por Fidel Castro, resolveu mudar a situação. Tentaram tomar de assalto o quartel Moncada, na cidade de Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. O objetivo era desencadear uma ofensiva contra a ditadura de Batista. Porém, a ação não teve sucesso, e os revoltosos, presos, acabaram mortos ou condenados à prisão.


Expropriação de latifúndios
Em 1955, Fidel e seus companheiros foram anistiados e asilaram-se no México. Lá, o movimento recebeu adesões de novos membros, como o argentino Ernesto Che Guevara. Em 1956, um grupo de 82 revoltosos chegou à ilha, mas Batista os reprimiu violentamente. A maioria morreu, mas um pequeno grupo conseguiu reunir-se numa região montanhosa conhecida como Sierra Maestra.


O grupo obteve apoio de membros do movimento que militavam nas cidades, e passou a utilizar táticas de guerrilha contra o exército da ditadura. Aos poucos, controlaram uma área onde instituíram a reforma agrária, deram a posseiros e trabalhadores a propriedade da terra em que viviam e ganharam muitos adeptos entre a população rural da região. A guerrilha rural passou para a ofensiva no ano de 1958, avançando em direção à parte ocidental da ilha e interrompendo as rotas de comunicação terrestre. Em 31 de dezembro de 1958, a ditadura foi derrotada, e Batista fugiu de Cuba.

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