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A ambição gerada pelo lucrativo mercado da borracha fez do
Estado ao norte do Brasil uma área de intensa disputa com a Bolívia, criando feridas até hoje mal curadas Bolívia, criando feridas até hoje mal curadas
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A árdua construção da ferrovia
Madeira-Mamoré, entre
1907 e 1912, planejada para
escoar a produção de borracha
boliviana e brasileira para o
porto de Belém, já foi alvo de Mad
Maria, veiculada pela Globo no começo
de 2005. Em janeiro de 2007, o
canal de TV deve exibir Amazônia –
De Galvez a Chico Mendes, outra minissérie
com ares épicos, com foco
especial sobre a intensa disputa do
território do Acre com a Bolívia.
Não por acaso, o norte do país virou
assunto recorrente em tempos de
nacionalização boliviana dos seus
campos de gás, polêmica que causou
constrangimento recente na
agenda do Itamaraty.
Essas e outras pautas diplomáticas
têm origem muito anterior à
eleição de Evo Morales, provavelmente
com o início do povoamento
no território boliviano a partir
de 1852. Aconteceu por meio da
fuga de brasileiros da seca implacável
que assolava o nordeste. Era
um deslocamento que visava à sobrevivência
e tinha objetivos econômicos
bem definidos, como explorar
os seringais.
Na região, que era boliviana, a
língua falada era o Português, e daquele
sotaque carregado de trejeitos
nordestinos. Diante da desleixada
colonização, Euclides da Cunha observou,
impressionado: “Não se conhece
na História exemplo mais ga-lopante de emigração tão anárquica,
tão precipitada e tão violadora dos
mais vulgares preceitos de aclimatamento
(...) O povoamento do Acre é
um caso inteiramente fortuito.”
Com a ocupação brasileira na região,
foi assinado o tratado de Ayacucho
em março de 1867 – aceito
rapidamente por ambas as nações,
o que revelou a ausência de atenção
dos governos com aquela região específica.
Na ocasião, preferiam despender
tempo com outros setores
das fronteiras. Os diplomatas que
assinaram o documento não conheciam,
em absoluto, as terras em
questão. Conversaram sobre o Acre
no completo escuro, sem prever o
quanto a região se valorizaria. O texto ficou dúbio e, cedo ou tarde,
resultaria em confusão.
Ainda no fim do século 19, a industrialização
européia e estadunidense
elegia a borracha como importante
elemento primário. E o
mundo capitalista já sabia onde encontrar
tal matéria-prima: na Amazônia.
Por isso, em pouco tempo,
Belém e Manaus se converteriam
em metrópoles, com a borracha do
Acre como patrocinadora.
Reação boliviana
A Bolívia assistia à valorização
do látex com inquietação, pois seu
território continuava ocupado por
brasileiros. Após se frustrar numa
tentativa de demarcação de fronteiras
em 1895, o país enviou a Manaus
um agente para instalar um
posto fiscal no Acre. Paralelamente,
mandou uma expedição militar ao
local da futura aduana. Ambas as
ações fracassaram, engabeladas por
autoridades brasileiras. A Bolívia
reagiu: após conseguir finalmente a
autorização do Itamaraty para a
abertura do posto, tentou tomar
posse da região.
Mesmo com o governo federal reconhecendo
o Acre como parte do
território boliviano, alguns brasileiros
resolveram agir por conta própria
e depuseram o delegado boliviano
no Acre. O representante andino,
Moisés Santivañes, retirou-se da cidade
da aduana, Puerto Alonso, sem
conseguir debater com os rebeldes.
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