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As loucuras do mais polêmico dos imperadores romanos são bastante
conhecidas, mas será que
são mesmo verdades?
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Nenhum imperador sintetiza tanto a imagem de degeneração da
aristocracia romana quanto Nero. No imaginário popular – e especialmente
no cinema de Hollywood –, ele aparece como um homem tomado
pelos excessos da luxúria e da gula, cruel e com um insano ímpeto “artístico”.
Diversos historiadores, porém, têm procurado rever essa imagem
estereotipada, demonstrando que ela foi, até certo ponto, construída
deliberadamente pelas fontes históricas antigas.
Para compreender Nero temos como fontes principais textos fragmentados
de três historiadores romanos: Tácito e Suetônio, no início do
século 2 d.C., e Díon Cássio, no século 3 d.C. Eles pertenciam ao ambiente
aristocrático da elite administrativa e do Senado, que sofreu com perseguições
e execuções sob ordens do imperador. Por isso, muitos estudiosos de
hoje apontam que o retrato construído de Nero foi possivelmente distorcido e
manipulado para parecer mais terrível do que a realidade.
De certo modo, Nero fez por merecer parte de sua fama. Nascido durante o
reinado do seu tio, o também famigerado Calígula, foi criado fora do ambiente ardiloso
da corte Júlio-Claudiana. Já adulto, foi adotado (como era comum no mundo
romano) pelo imperador seguinte, seu tio-avô Cláudio. Sua mãe,Agripina, foi autora
de uma série de maquinações para aproximar-se do poder, como manipular a lei para
casar-se com o tio, Cláudio. Ela assegurou que seu filho fosse nomeado imperador
imediatamente após o assassinato de Cláudio, em que provavelmente tomou parte, e
também eliminou o filho adolescente deste, Britânico, outro possível candidato ao trono.
A influência de Agripina foi marcante nos primeiros anos do reinado de Nero,
ainda pacíficos e prósperos. Nero se dedicava ao canto, ao teatro e às corridas
apenas dentro dos muros do palácio real e reinava sob a supervisão da mãe,
do tutor Sêneca e do administrador geral de Roma, Afrânio Burro. Mas em 59 d.C. a situação mudou. Sentindo-se ameaçado pelas intrigas políticas
de sua mãe, resolveu assassiná-la.
Sem piedade
A repercussão da morte de Agripina marcou Nero como assassino
cruel e sem limites. Em 62 d.C., Burro faleceu, e Sêneca afastou-se
da corte, deixando o imperador sozinho para governar e lidar com o
constante medo de traição e golpe. Logo ele também mandaria matar
sua esposa, Otávia, e se casaria com a amante, Popéia Sabina. Em 65
d.C., conforme narra o historiador Tácito, Nero descobriu uma conspiração
dos senadores contra si e foi implacável: mandou executar dezenas
de aristocratas. No ano seguinte, outra conspiração levou à
morte o grande símbolo da liberdade senatorial, o estóico Trásea Peto.
A descrição das execuções é tão extensa que Tácito chega a
desculpar-se por escrever sobre tanto derramamento de sangue.
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