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CONHECER PARA RESPEITAR
 

 

 

 

 

 

A obrigatoriedade das aulas de História e Cultura Afro-Brasileira ajuda, mas
combater o preconceito racial nas escolas depende bastante do compromisso dos educadores

 

Em uma pesquisa de 2003 realizada pela Fundação Perseu Abramo, 87% dos entrevistados afirmaram que existe racismo no Brasil. Na mesma pesquisa, 96% disseram que não são racistas. Como assim? Há racismo, mas quase nenhum racista no Brasil?

 

Essa realidade sui generis deve-se muito aos esforços realizados
para a construção da idéia de “democracia racial”. Tal idéia, na verdade um mito, ganhou força principalmente após a publicação do clássico Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, em 1933. A obra induziu a crença de que as relações étnicas no Brasil seriam harmoniosas e a miscigenação seria a contribuição brasileira à civilização. Com isso, a questão étnica e o racismo encontraram barreiras para a sua expansão, tanto na academia quanto na sociedade como um todo.


Há muitos estudos acadêmicos que comprovam as desigualdades
étnicas que persistem no País. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais de 45% da população brasileira (cerca de 80 milhões) é composta de negros (pretos e pardos). Sua distribuição entre as diferentes camadas sociais, contudo, está longe de ser equilibrada: entre os 10% mais pobres da população brasileira, mais de 70% são negros. Entre o 1% mais rico, apenas 8% são negros.

 

Ao longo de todo o século 20, militantes dos movimentos negros vêm denunciando a existência da discriminação racial na sociedade brasileira e lutando por melhores condições de vida para a população negra. As gerações de militantes das décadas de 70 e 80, em especial, tomaram para si o desafio de denunciar o mito da democracia racial. Um importante avanço foi a elaboração da Lei 10.639, sancionada em 2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas do País.

 

Como educador, percebo além da existência do racismo na escola, também a falta que cometemos – professores e professoras – ao perdermos oportunidades de contribuir para a construção de uma verdadeira democracia racial no Brasil. Quantos casos de discriminação racial são presenciados todos os dias nas escolas, muitas vezes sob a forma de “brincadeira”? E todos nós, educadores, sabemos a importância que o conhecimento da História traz para a construção da identidade dos nossos estudantes. Com efeito, conhecer a história africana e as contribuições dos negros para a formação da nossa sociedade, bem como a de outros grupos historicamente marginalizados – e não apenas a história européia –, é imprescindível para a reeducação das relações étnicas de um País que busca livrar-se de preconceitos e alcançar a igualdade de oportunidades para todos.

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