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Uma guerra vitoriosa contra a Espanha
em 1898 deu aos EUA Porto Rico, parte
de Cuba e iniciou o processo que alçaria o país à nação
mais poderosa do mundo
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O historiador britânico Eric Hobsbawm,
no livro A Era dos Extremos
(Companhia das Letras, 1995), escreve
sobre um “curto século 20” que começaria
em 1914, com a Primeira Guerra
Mundial, e terminaria em 1991, com o
fim da União Soviética e da Guerra Fria.
Essa delimitação troca a cronologia tradicional
por uma abordagem mais ampla,
um sentido ou identidade que permite
reconhecer um momento histórico por
suas feições, em vez de simplesmente
circunscrevê-lo em parâmetros numéricos.
Existem ainda outros recortes capazes de fazer
surgir séculos distintos em sua duração e
naquilo que os definiu.Assim se poderia falar
também de um “longo século 20”, marcado
pela ascensão de uma potência econômica e
militar: os Estados Unidos. E o princípio dessa
ascensão não se deu nas trincheiras da
Primeira Guerra, mas nas águas tranqüilas da
baía de Havana, em Cuba, no começo de
1898. Lá aconteceu o batismo de fogo estadunidense
como potência internacional.
Nada indicava que essa data seria decisiva
para a história dos EUA. Era o segundo ano de governo do presidente William
McKinley (1843-1901), do Partido Republicano,
um líder sem carisma que causava
apatia geral. Enquanto isso, perto dali, na
ilha de Cuba, o movimento pela independência
crescia e era continuamente reprimido
pela Espanha, desesperada em manter o
que restava do seu esfacelado império colonial.
Para garantir a segurança dos cidadãos
habitantes da ilha, os EUA enviaram para
Havana o couraçado USS Maine. E a história
mudou completamente.
Incursões como essa eram comuns, pois
os navios de guerra atuavam como embaixadores
móveis de suas nações. Mas o momento
escolhido era inoportuno. Isso acirrou
os ânimos da população local e acenou
aos revoltosos com a possibilidade de uma
intervenção estadunidense que apressaria o
fim do domínio espanhol.
Apesar das expectativas, a visita do
Maine prosseguiu amistosa e dentro do protocolo
até às 21h40 do dia 15 de fevereiro, quando uma violenta explosão nos seus
conveses inferiores partiu o casco ao meio,
causando a morte de mais de três quartos
dos 354 tripulantes.
As embarcações próximas, como o cruzador
espanhol Alfonso XII, prestaram imediato
socorro às vítimas, incluindo o capitão
do Maine, Charles Dwight Sigsbee. Mas logo
depois terminaria a complacência, quando a
suspeita de que a explosão havia sido causada
por uma mina foi confirmada pelo inquérito
da marinha estadunidense.
Os investigadores não identificaram os
responsáveis, mas não foi difícil encontrar a
quem culpar. As manchetes do New York Herald,
de Joseph Pulitzer, e do New York Journal,
de William Randoph Hearst, não deixavam
dúvidas de que havia sido um ato de“traição vil” por parte dos “brutos espanhóis”.
Pouco importava que não existisse interesse,
por parte da Espanha, em promover
um conflito com os EUA. Ou que fosse absurda
a idéia de minar a parte mais movimentada de um porto importante. Ou, ainda, que a
suposta mina não tivesse deixado vestígios.
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