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Após o fim da escravidão, os afrodescendentes brasileiros precisaram se organizar em
diversos grupos para lutar por
cidadania e outros direitos
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A abolição da escravidão no Brasil, em 1888, sem
uma política de inserção social, levou os afrodescendentes
a uma grande marginalização social
na nova ordem social que então nascia. O mercado
de trabalho encontrava-se voltado para os imigrantes,
e a persistência do racismo não dava a eles
grandes possibilidades.
Diante de um quadro extremamente desfavorável,
esses ex-escravos tentaram superar as dificuldades
organizando-se em torno de associações, literárias,
rítmicas, musicais e outros tipos de espaços
voltados principalmente para a cultura – outros espaços
sociais urbanos não estavam abertos a eles.
Esse encontro rotineiro, com pessoas que sofriam os
mesmos problemas, fez surgir a consciência coletiva
da exclusão social a que estavam submetidos.
Com a circulação dessa consciência, esse grupo
social passou a buscar meios de protestar e articular
seus pensamentos, visando a auto-afirmação e
a construção de uma identidade positiva. O processo
de organização do grupo afrodescendente passa,
necessariamente, pelo processo de conscientização
de seus problemas sociais, políticos e econômicos.
Os movimentos negros configuram-se como a busca à vida associativa em combate ao racismo. Essa luta
obteve, entre tantas dificuldades para sua construção, a intensa vigilância dos órgãos de segurança
por meio da polícia política, que desconfiava desses
movimentos como “subversivos”.
FNB abre caminho
O primeiro veículo de protesto negro foram os
periódicos – de início produzidos somente por e
para esse público (veja o quadro “Fases da imprensa
negra”). Essa imprensa articulava os afrodescendentes
com idéias, aspirações, reivindicações e projetos
sociais. Como buscavam também o resgate da
auto-estima dessa população, era muito importante
valorizar a beleza negra e o peso dessas pessoas
como seres humanos. Formulando uma identidade étnica e laços de solidariedade, procuravam uma
mobilidade social.
O primeiro jornal do estado de São Paulo foi o
Baluarte, de 1904, órgão oficial do Centro Literário
dos Homens de Cor. Autodescrevia-se como “um legítimo órgão da classe de homens de cor para levantar
essa classe muito tempo aviltada em nosso
país”. Na capital fluminense, o primeiro periódico
com esse perfil foi o Menelik, fundado em 1915.
Ele tinha um caráter mais noticioso, dedicando-se
também à crítica literária.
A fundação da Frente Negra Brasileira (FNB),
em 1931, nasceu em decorrência do contexto de inquietação
e esperança produzido pela Revolução de
1930, com objetivo de integrar política e socialmente
os afro-descendentes. Foi um movimento de caráter
nacional, com atuação no interior de São Paulo e
em outros estados do país.
Na década de 1920, os afrodescendentes envolvidos
com a imprensa, principalmente com o Clarim
d´Alvorada, organizaram o Centro Cívico Palmares,
uma das sementes da FNB. Arlindo Veiga
dos Santos, que já havia sido presidente do Centro
Cívico Palmares em 1931, buscou, junto com outros militantes, uma organização mais política, complementando
a ação realizada no centro.
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