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A importância de o professor dominar o tema história
antiga e sua relação com a motivação dos alunos
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Professores e alunos, freqüentemente, têm inúmeros
problemas com história antiga. Ela aparece
desconectada da história “tradicional”. Mas
não é bem assim. Vejamos alguns exemplos do caso
grego, que é mais familiar a mim. Segundo alguns
estudos, Homero é mais lido que a Bíblia no
mundo. Freud baseou parte generosa de sua psicanálise
em mitos gregos. Tragédias de Ésquilo e
comédias de Aristófanes são freqüentemente reeditadas
nos teatros de todo o planeta. Matrix ou O
Show de Truman: O Show da Vida são filmes campeões
de bilheteria baseados no mito da caverna,
de Platão. Atenas testemunhou o nascimento da
democracia. Médicos, ao se formarem, fazem o
juramento a Hipócrates. Poderíamos citar outros
vários exemplos. Por que, então, a história antiga
se apresenta como algo tão distante de nós?
Poderíamos evocar como resposta o preconceito. “O Brasil não teve história antiga, afinal, os
portugueses chegaram aqui há apenas 507 anos.”
A réplica a esse argumento está no parágrafo anterior.
De fato, costumamos dizer que nas escolas
as crianças aprendem que o primeiro homem foi
Adão e o segundo Cabral. A universidade ratifica
isso: os alunos da graduação estudam um ou
dois períodos de história antiga. E está encerrado
o “martírio”. Quando chegam às salas de aula e
deparam com a necessidade de lecionar durante
um ano o tema que estudaram pouco, ficam
desmotivados. Quem já deu aula sabe bem disso:
quando o professor desconhece o assunto, a aula é ruim. Aula ruim, alunos desmotivados. Pronto,
está instaurado um círculo vicioso que marcará
profundamente a formação dos estudantes. Para aqueles que se especializaram no estudo da
Antiguidade, o trabalho é menos árduo, mesmo
que não dêem aula somente de história antiga.
Afinal, é muito mais fácil um historiador especializado em Grécia arcaica discutir questões do
mundo contemporâneo do que o historiador especializado
em mundo contemporâneo discutir
questões da Grécia arcaica.
Uma constatação: nem todos os professores
são obrigados a se especializar em história antiga.
Por outro lado, todos os professores têm a
obrigação de dar uma boa aula. Por isso, deixo
dicas bem simples que ajudarão bastante. No
caso grego, alguns temas podem sugerir discussões
interessantíssimas. A religião é um exemplo.
Apresentar uma religião pré-cristã, politeísta, significa
produzir um embate entre o eu e o outro
e entender uma gama mais diversificada de valores.
Destaque que a religião dos gregos não é primitiva, é apenas diferente. A democracia é outro
tema atraente. Nossa democracia é baseada no
consenso, enquanto a dos gregos era baseada no
dissenso. Debata com os alunos o que é democracia,
ontem e hoje. Discuta também a tradição oral
dos gregos. Lembre que os poemas de Homero
foram transmitidos por poetas durante gerações
até serem escritos. Qual a importância da escrita
para o mundo atual? E a da oralidade?
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