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Estudos de renascentistas como Alberti, Francesca, Pacioli e
Da Vinci evidenciaram que
pintura e matemática estão
mais relacionadas do que
se poderia imaginar
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Se a expressão “cientificamente
bela” nos causa estranheza,
possivelmente fazemos parte da
maioria acostumada a entender a
ciência e a arte como universos
distintos – talvez até diametralmente
opostos. A beleza é idealizada
como algo sensível, predominantemente
subjetivo, do
mundo artístico; à ciência pertencem
as questões racionais e predominantemente
objetivas. Estudos
da história da ciência nos
mostram que a racionalidade da
beleza já era objeto de discussão
há mais de cinco séculos.
O italiano Leon Battista Alberti
(1404-1472) acreditava
que uma pessoa podia reconhecer
a beleza não pelo mero gosto,
mas por uma faculdade racional
que é comum a todos os
homens e que conduz a um consenso
sobre quais obras de arte
são belas. Para Alberti, a beleza
poderia ser detectada por uma
faculdade de juízo artístico.
Pensar que a equação E =
mc2 possa ter propiciado ao “criador” da teoria da relatividade,
Albert Einstein (1879-1955),
tão grande satisfação quanto
a que sentimos diante de uma
pintura renascentista nos leva a
crer que, talvez, a ciência e o belo
não sejam incompatíveis. Do
mesmo modo, a noção do belo
pode ser fruto de muito conhecimento
científico.
As pinturas renascentistas
são bons exemplos para ilustrar
essas questões. Essas obras
guardam em seu processo de
elaboração uma rica interação
de conhecimentos de filosofia
natural (que hoje chamaríamos
de conhecimento científico) e de
saberes práticos.
Pintura racional
No Renascimento (período de
transição entre a Idade Média e a
Modernidade), especialmente entre
a segunda metade do século 15
e o século 16, observou-se no norte
da Itália um modo particular de
elaborar a pintura – uma forma específica de representação influenciada
por um conjunto de fatores,
entre eles o movimento humanista
e a elaboração do conhecimento
teórico sobre a óptica.
Alberti, que viveu em Florença
na segunda metade do século
15, deixou entre seus vários escritos
um tratado sobre a pintura:
Da Pintura (1435-1436). Nele, teorizou
os anseios dos pintores da época pela representação naturalística.
Esse tratado se diferencia
dos escritos medievais por analisar
a pintura de forma racional,
com base na matemática e na óptica,
deixando de lado aspectos
teológicos e metafísicos. Alguns
historiadores da arte e da arquitetura
costumam atribuir a esse
tratado o primeiro registro teórico
sobre perspectiva linear.
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