newsletter
 

nome:

e-mail:














 
MÉTODO DA VIOLÊNCIA
 

 

 

O ex-capitão do Bope e principal fonte de inspiração para o filme Tropa de
Elite faz um balanço da violência fluminense desde que deixou a corporação

 

"Vocês vão escrever que me encontraram, cansado, por volta das 11 da noite, aqui neste restaurante japonês, comendo um temaki de camarão empanado, em Ipanema, com um amigo policial, bem naquele estilo de jornalismo que está na moda agora, né?” Assim foi o começo da entrevista com o ex-capitão do Bope, Rodrigo Pimentel, e atual roteirista, escritor, sociólogo e responsável pela área de segurança de um banco privado, concedida à Desvendando a História.


Agora que virou celebridade também opina sobre estilos de textos jornalísticos. Especialmente depois do sucesso de Tropa de Elite, o filme mais comentado de 2007, do diretor José Padilha, o mesmo do documentário Ônibus 174. O filme teve a colaboração fundamental de Pimentel em todas as etapas de realização, do roteiro à montagem. O ex-capitão buscou inspiração nas histórias que viveu e ouviu em quase dez anos de Bope, o temido Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar fluminense. Foi a experiência de Pimentel que deu realismo à obra. Na vida real, o ex-policial passou por quase tudo que o capitão Nascimento (interpretado pelo ator Wagner Moura) vive no filme.

 

As cenas fortes de tortura policial chocaram poucos e agradaram à maioria. Por um desses certeiros golpes do destino que até parecem estratégias de marketing, cópias piratas do filme multiplicaram-se nos camelôs antes mesmo do lançamento, um fato até então inédito no país. A despeito da confusão, a produção mais cara de 2006 promete ser a mais rentável dos próximos capítulos da indústria do cinema nacional. “Mas o que mais me choca nisso tudo não é a pirataria ou a briga na Justiça, e sim a reação do público: ninguém se choca com as cenas de tortura policial”, observa Pimentel. “A coisa mais doida foi isso. Eu não esperava. Conheço gente de todo tipo porque transito em muitas áreas, tenho amigos sociólogos, advogados, militares. Todos acharam maravilhoso, mas nem sequer tocam no assunto tortura. É como se ela não existisse no filme. A população também tolera. É um pacto velado com a tortura”.

 

O capitão Nascimento é, na verdade, um anti-herói, na definição do próprio Pimentel. “O clima de insegurança, a política, a impunidade transformaram o protagonista, que é torturador, num justiceiro. No desfile de 7 de Setembro, os únicos policiais ovacionados foram os integrantes do Bope, os outros todos foram vaiados”, lembra, não sem uma ponta de orgulho. Outro dia, na rua, viu adolescentes imitando o personagem em uma das cenas do filme. Ele, que queria ser policial desde criancinha, adora e brinca com o sucesso do filme, mas é taxativo: “Se meu filho quiser ser policial, eu não deixo”.

 

Não no Rio de Janeiro. Nessa entrevista, Pimentel fala sobre a violência urbana no Rio, resultado de políticas públicas equivocadas no passado, comenta o sucesso do filme e fala sobre a vida real da polícia.

<< voltar - próxima>>



Copyright © 2005
Escala Educacional