newsletter
 

nome:

e-mail:














 
BAQUE UNIVERSAL
 

 

 

 

Manifestação restrita e criticada pela elite no século passado,
o maracatu é hoje reconhecido no Brasil e no exterior, além
de ser figura central do carnaval pernambucano

 

No início dos anos 1970, o carnaval na cidade do Recife tinha muitas facetas. Em todos os bairros as pessoas se dirigiam para os principais centros da brincadeira, em sua maioria fantasiadas. As que gostavam de desfilar nas agremiações vestiam fantasias para subir nas passarelas ou brincar pelas ruas do bairro de São José.


Já aquelas acostumadas aos carnavais dos clubes sociais, a exemplo do Internacional ou do Português, iam dançar frevo ao som de bandas ou participar dos famosos bailes, como o Bal Masquê ou o Baile Municipal, onde o ritmo imperava. Havia também os que iam às ruas se esbaldar ao som dos trios elétricos, durante o Galo da Madrugada, com as “freviocas” – um ônibus com sistema de som, adaptado para levar consigo uma orquestra de frevo, muito popular até hoje no carnaval da cidade. As orquestras de frevo circulavam também pelas ladeiras de Olinda.

 

Naquele ambiente onde o frevo parecia ter sua majestade inabalável, outros ritmos não possuíam tanto espaço. Os maracatus de orquestra, os caboclinhos, os ursos, os bois e os maracatus-nação eram vistos com certa tolerância e olhar complacente. O dono da festa era o frevo.

 

Ele era importante principalmente porque vendia – Capiba, Claudionor Germano, Expedido Baracho, Nelson Ferreira e tantos outros compositores e intérpretes estavam presentes nos muitos discos lançados no mercado pela gravadora Rozemblit.

 

Hoje o frevo não fascina tanto. Os maracatus, em compensação, ascenderam e destacam-se no carnaval recifense, com muita identidade pernambucana. Adquiriram uma proeminência até bem pouco tempo inimaginável, em uma festa que era “dominada” pelo frevo. Os maracatus vivem um momento de ampla aceitação e valorização, ao menos nas intenções dos órgãos de cultura municipal e estadual, bem como nas dos discursos de uma elite intelectual regionalista.


O frevo não era uma unanimidade na preferência popular da forma como desejariam seus mais ardorosos defensores, visto que quase sempre dividiu espaços com outros tipos de músicas, pernambucanas ou não. O frevo foi ameaçado nos anos 1990 pela axé music e antes disso pelo samba, gerando protestos de quem se dizia autêntico defensor da cultura pernambucana. Por isso, havia leis municipais que regulamentavam as músicas executadas nas estações de rádio e nas radiolas do carnaval olindense. Agora, o protesto regionalista perdeu força, uma vez que o frevo disputa atenções com um ritmo também produzido por pernambucanos.

<< voltar - próxima >>



Copyright © 2005
Escala Educacional