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APRENDER COM MÚSICA
 

 

 

 

Uma atividade que una MPB,

história e literatura pode trazer
resultados surpreendentes

para alunos e professores

 

Numa sala de aula de 2º ano do ensino médio, desenvolvemos um projeto cujo objetivo era buscar a relação entre música e história. Estabelecemos como meta descobrir o quanto a história do Brasil era lembrada e citada pelos compositores e letristas da Música Popular Brasileira (MPB).


Numa primeira etapa, usou-se como exemplo o Samba do Crioulo Doido de Sérgio Porto, que foi mostrado em classe por dois grupos de quatro alunos, acompanhado de uma breve biografia, um rápido levantamento da musicografia do autor e um relato dos diferentes acontecimentos históricos a que a letra se referia. Como professora de história, ajudei-os a desfazer o emaranhado de fatos com que o autor, com muito humor, brincou.


Depois das apresentações ilustrativas, propôs-se que cada grupo fizesse o mesmo com outros autores. A avaliação do trabalho seria feita por todos os alunos da classe e pela professora e deveria levar em conta os seguintes critérios: pesquisa; clareza; concisão; análise da letra, com aspectos principais e inserção no momento histórico; levantamento dos fatos mencionados e comentários; criatividade na apresentação; e pontualidade e qualidade do trabalho.

 

Convidamos a professora de literatura para participar do projeto. Seu papel era fundamental: orientar e ajudar os alunos na seleção das composições e fazer uma rápida análise literária das letras com os diferentes grupos. Ajudou-os também a caracterizar o momento cultural e literário em que surgiram.


Foram necessárias seis aulas de 50 minutos cada para que os grupos se apresentassem. O primeiro grupo escolheu O Mestre Sala dos Mares, de Aldir Blanc e João Bosco. A Revolta da Chibata (1910) foi lembrada pelos expositores, que deram destaque ao fato de a anistia concedida aos revoltosos não ter sido respeitada pelos governantes, que foram seus propositores, e discutiram a questão acerca de os castigos corporais ainda serem aplicados muitos anos após a abolição da escravatura. O grupo trouxe a questão para a atualidade, com recortes de jornais atuais relatando flagrantes de trabalho escravo em algumas regiões do Brasil. Foi mencionada também a censura à letra, com apresentação de uma das versões proibidas pela ditadura. A música “levantou a galera”, que com a letra nas mãos cantou junto.

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