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O GIGANTE DESPERTOU
 

 

 

 

Às vésperas dos Jogos

Olímpicos de Pequim, a China relembra sua história milenar,
repleta de conflitos com outras nações e guerras civis

 

No início do século 19, Napoleão Bonaparte vaticinou: “quando a China acordar, o mundo vai tremer”. Àquela época o grande império do meio ainda estava voltado para o seu próprio umbigo e ignorava soberbamente o resto do mundo. O que o grande estadista francês já percebia, contudo, era que o período de isolamento estava prestes a terminar. Com efeito, três décadas depois, em 1839, a Guerra do Ópio soava o gongo da entrada da China nas relações internacionais. Nos dias atuais, quando acompanhamos o extraordinário crescimento econômico do país e sua importância na cena mundial, somos obrigados a concordar que nenhum abalo na China passa mais despercebido ao resto do mundo.


Na origem do conflito – travado contra o Império Britânico de 1839 a 1842 –, havia a necessidade dos ingleses de resolver um problema de comércio triangular: eles importavam chá, sedas e porcelanas da China e exportavam produtos industrializados e bens capitais para a Índia, mas não havia um comércio estabelecido entre esses países que pudesse restabelecer o equilíbrio das respectivas balanças comerciais. De maneira a estancar a sangria de ouro inglês para os cofres da China, os britânicos burlavam os regulamentos chineses, que visavam controlar o consumo de ópio, e concederam à Companhia das Índias Orientais o monopólio do comércio do narcótico, que era produzido na Índia, com grandes plantações de papoula, e entrava na China em forma de contrabando. Estima-se que um décimo da riqueza arrecadada pelos ingleses na Índia, naquela época, provinha dos impostos sobre o contrabando (veja o quadro “A questão do ópio”).

 

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