|
Em
um texto escrito no ano de 1968, Paulo Freire sintetizou as
suas considerações em torno do ato de estudar,
afirmando que estudar não é o ato de consumir
idéias, mas de criá-las e recriá-las.
Num mundo inflacionado pela informação, onde
a cultura, exposta nas vitrines, participa da lógica
do consumo, creio ser extremamente salutar o exercício
do que nos propõe Freire. Isso significa, no mínimo,
rever metodologias articuladas muito de perto com o conceito
de um aluno passivo, mero receptor de informações,
para promover uma pedagogia centrada na dimensão da
inventividade, onde as diversas áreas do conhecimento
seriam as companheiras de um aprendiz que cria e recria idéias,
porque se forma como um pesquisador.
A
proposta de estudo descrita a seguir buscou contemplar essas
preocupações. Por isso, o foco voltou-se para
o ensaio de uma metodologia de pesquisa, onde os sujeitos
envolvidos de fato se exercitassem como pesquisadores.
Isso
posto, vamos à proposta. O objetivo do trabalho era
construir uma reflexão sobre a história do Brasil
no século XX. Cabe lembrar que o projeto foi realizado
durante um ano letivo. Partimos da idéia de que se
nós realizássemos um estudo sobre as histórias
de diversas pessoas que viveram no Brasil ao longo desse século,
no final teríamos, com certeza, um retrato muito expressivo
daquilo que fomos nesses 100 anos de história. Ou seja,
pretendíamos descobrir o Brasil na história
de brasileiros. Assim, por meio da história de vida
de várias pessoas, percorremos as diferentes décadas
que configuram esse século.
Como exemplo, citamos alguns nomes sugeridos e as suas respectivas
décadas: o Brasil de Oswaldo Cruz, assim como o de
Santos Dumont e de um imigrante girou em torno da primeira
década do século XX; Carmem Miranda e Monteiro
Lobato relacionaram-se aos anos de 1940; Tom Jobim, Grande
Otelo e um migrante, aos anos de 1950; Roberto Carlos, Leila
Diniz e Pelé, aos anos de 1960, e assim por diante.
Em linhas gerais, o trabalho desenvolveu-se em três
momentos: primeiro um levantamento aprofundado dos aspectos
biográficos, buscando construir assim a história
de vida das pessoas pesquisadas; segundo, trabalhou-se o contexto
histórico da década em questão, isso
envolveu pesquisar dados estatísticos, ou seja, os
números da sociedade brasileira na época (número
de habitantes, a população urbana, a população
rural, a escolaridade, etc.), aspectos socioculturais (hábitos
e costumes, da moda, livros, filmes, músicas de sucesso);
acontecimentos marcantes (na ciência, no esporte, na
política internacional); fatos marcantes da política
brasileira (quem governava, a participação política,
os movimentos sociais, etc.); terceiro, buscou-se construir
algumas relações entre a biografia e o contexto
histórico investigados.
Francisco
Rocha é hprofessor do Colégio Bialik,
em São Pauto, mestre pela Universidade de São
Paulo e doutorando em História Social pela mesma universidade.
É autor do livro Adoniran Barbosa, o Poeta da Cidade,
Ateliê Editorial
|