|
Todo
professor de História já deparou, em algum momento
de sua vida profissional, com o dilema de explicar aos seus
alunos, quando questionado, de qual é a função
prática de conhecer o passado, ou como eles dizem,
"esse amontoado de datas velhas".
Tentar mostrar que a História depende diretamente da
ação do homem, consciente ou não, tem
se mostrado tarefa cada vez mais difícil. Levar o jovem
a construir leituras e explicações autônomas
e eficientes acerca do mundo, de maneira a torná-lo
elemento ativo dessas transformações, não
é propriamente aquilo que se possa chamar de tarefa
das mais fáceis. Que a LDB estabelece o aluno como
agente protagonista do seu próprio conhecimento, todo
o professor já sabe. O problema é como fazê-lo.
Como tornar o mundo minimamente inteligível para esse
aluno, levando-se em conta não apenas seu prévio
conhecimento sobre ele, mas também torná-lo
cada vez mais sensível a novos estímulos?
Foi pensando nisso que no início do ano de 2005 resolvi
aplicar com meus alunos de primeiro ano de Ensino Médio,
cada classe a seu tempo, uma dinâmica de grupo, bem
ao novo estilo do “pedagogês” moderno.
Cabe aqui uma explicação. Sendo também
professor do curso de História da Uni FMU, em 2004
assisti à apresentação do trabalho de
um de nossos alunos, Carlos Henrique Peixoto, na Semana Cultural.
Inicialmente voltada ao ensino de música para crianças,
a oficina tinha por intuito despertar nos jovens alunos a
atenção e concentração necessárias
para o aprendizado de letras e melodias.
Foi quando tomei contato, pela primeira vez, com as idéias
do compositor norte-americano John Cage, autor de uma música
chamada 4:33. Nela, durante quatro minutos e trinta e três
segundos o músico ficava em frente ao piano, sem tocar
uma única nota, numa tentativa de mostrar aos ouvintes
o “som do silêncio”.
Resolvi adaptar a recente experiência. Agora, a nova
intenção era fazer que os alunos percebessem
a quantidade de informações dispersas no mundo,
e que em sua maior parte são ignoradas pelos menos
atentos, tornando cada vez mais difícil a assimilação
e manipulação dessas informações.
|