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O
encontro entre a expectativa e a realidade. É este
nofundo o tema de minha dissertação de mestrado
intitulada: Lastros de viagem: expectativas, descobertas
e projeções portuguesas no Índico –
análise de três narrativas quinhentistas.
Esta pesquisa surgiu de uma indagação advinda
da leitura de obras que analisavam o imaginário europeu
sobre o continente americano. Nesses trabalhos os autores
são unânimes em afirmar que todo aquele universo
de figuras fantásticas, reinos imaginários,
riquezas desmesuradas e paraísos terrestres que compuseram
o imaginário europeu sobre a América migrou
do Oriente desconhecido medieval para a América desconhecida
no século XVI. As
perguntas surgidas foram: e o Oriente, passou a ser visto
como? De maneira “antropológica”? Para
responder a essas perguntas naveguei, com as fontes, nos mesmos
mares navegados pelos portugueses desde o final do século
XV. Tentei acompanhar, com base nos relatos disponíveis,
essa espécie de “desencantamento” do Oriente,
em especial do Índico, palco de Vasco da Gama e tantos
outros laureados por Camões.
O
ponto alto da epopéia marítima portuguesa iniciada
no século XV foi a chegada de Vasco da Gama à
Índia, em 1498. Ali se realizavam sonhos e expectativas
acalentados havia décadas. Desde a Idade Média
que o Oriente longínquo (as Índias) inspirava
fantasias e mitos. Lugar de grandes riquezas, geografia fantástica,
abundância alimentar, licenciosidade sexual, seres monstruosos,
do Paraíso terrestre... Enfim, o Ocidente projetava
no Oriente suas carências e sonhos. Todo esse conteúdo
maravilhoso que permeava as mentes européias na Idade
Média advinha de fontes diversas: de tratados greco-romanos,
passando por obras de teólogos e viajantes medievais.
As chamadas “autoridades” davam forma ao desconhecido
Oriente. Em Portugal, essas fontes também tiveram penetração
e ajudaram a formar um universo de expectativas que estarão
presentes como “lastros” de viagem dos primeiros
navegadores. Em especial, a riqueza incalculável, refletida
nas especiarias; e a busca de reinos cristãos que,
se acreditava desde a Idade Média, existiam no Oriente.
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