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Cachaça,
tributos e salário dos
professores no Brasil colonial
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Ainda
que desde a Antiguidade Clássica a educação
estivesse presente nos interesses de filósofos, como
Platão ou Marco Túlio Cícero, ou então,
vez por outra, nas ações dos governantes e de
instituições religiosas, isso nunca significou
uma regra a ser seguida. Apenas recentemente, em termos históricos,
educar a sociedade tornou-se uma prática respeitada.
O curioso é que a constatação sobre isso
surgiu não propriamente de educadores, filósofos
ou governantes, mas sim de um sujeito cujos interesses estavam
voltados para a economia. Seu nome: Thomas Robert Malthus.
No
livro intitulado Ensaios sobre a População,
publicado em 1798,Malthus afirma que o maior problema dos
governos era a pobreza vivida pela maioria da sociedade, resultado
de um processo crônico enfrentado por todos os povos.
Segundo o autor, as populações cresciam em progressão
geométrica (2, 4, 8, 16, 32, 64...) ao
longo do tempo. Já as condições materiais
– como alimentação, moradia, saúde
entre outros – multiplicavam-se aritmeticamente (2,
3, 4, 5, 6, 7, 8...).
Assim, em todos os momentos da história humana, a pobreza
e a miséria existiriam. A única saída,
afirmava Malthus, era educar a sociedade – principalmente
os mais pobres – para que as pessoas entendessem a origem
de seus males e não culpassem os governantes.
A idéia de Malthus não chegava a ser inédita.Esse
raciocínio era muito usado, no século XVII,
para evitar as revoltas populares que começavam a emergir
na Europa e na América. Por exemplo, alguns governos,
sob a influência do pensamento Iluminista, adotaram
para si a responsabilidade da educação.
Dinheiro
vindo da cachaça
Um dos países que instituíram a educação
pública foi Portugal, e isso pouco tempo antes da publicação
da obra malthusiana. A iniciativa, porém, não
visava propriamente à erudição do povo.Quando
o rei Dom José I assumiu o trono de Portugal, por volta
de 1752, trouxe o Marquês de Pombal para compor seu
Conselho de Estado.
Pombal, bastante influenciado pelas propostas dos pensadores
iluministas e incluído posteriormente no rol dos chamados
déspotas esclarecidos – governantes ou assessores
de governantes que, apesar de se apresentarem como seguidores
do modelo Absolutista, adotavam certas práticas liberais
defendidas pelo Iluminismo –, procurou, entre outras
coisas, adotar medidas que minimizassem a influência
da Igreja Católica nas orientações governamentais
portuguesas.
Uma dessas ações foi a expulsão da Companhia
de Jesus do Brasil, na década de 1750.Os jesuítas,
entretanto, eram responsáveis por mais de 80% dos poucos
colégios no território brasileiro. Sua expulsão
criou um enorme problema para a Metrópole, pois não
se sabia quem iria assumir o espaço deixado pela Companhia
de Jesus.
A
solução foi encontrada nos anos de 1762 e 1763.
O governo português ficaria responsável pela
educação da população no território
ultramarino, por meio da criação de escolas
públicas.
Se, por um lado, a iniciativa resolvia parte do problema,
por outro fazia surgir um imbróglio: para educar, professores
deveriam ser contratados, e isso implicaria pagamento de salários.Mas
de onde sairia o dinheiro? Nesse período ainda não
existia de forma completa a idéia de administração
pública ou planejamento administrativo; esses temas
foram desenvolvidos nos séculos XIX e XX.
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