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O filme Lutero coloca em foco as idéias do religioso
alemão que provocou a maior
ruptura na história do Cristianismo e incentivou
a mentalidade capitalista
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Quem
retirar o DVD do filme Lutero em uma locadora, e resolver
conhecer um pouco mais sobre o religioso alemão do
século XV, poderá traçar paralelos bem
interessantes entre o papel da Igreja Católica na primeira
metade do século XVI e o dos dias atuais. Sobretudo
no que tange ao envolvimento da religião com a economia
e o poder político.
Traidor para os católicos, herói para os protestantes,
a trajetória biográfica de Martinho Lutero (1483-1546)
pode resumir a dissolução da hegemonia cultural
da Igreja Católica, em um mundo marcado pelas Grandes
Navegações, Renascimento e início do
absolutismo monárquico.
No filme, o ator inglês Joseph Fiennes interpreta o
líder protestante. A atuação de Fiennes
deixa a desejar, pois mostra um personagem vacilante e frágil,
ao contrário do homem obstinado e austero que a história
nos legou. Mas a licença poética não
tira a força do personagem.
A Reforma religiosa proposta por Lutero, na Alemanha de 1517,
marcou a transição feudo-capitalista e acarretou
uma grande divisão no cristianismo ocidental. De fato,
a burguesia européia que estava em ascensão
precisava de uma nova moral religiosa que incentivasse o acúmulo
de capital. E a Igreja Católica tinha uma visão
restritiva do assunto, reprovando tanto a cobrança
de juros quanto a livre obtenção de lucro, além
de condenar como pecado a usura.
Horror à ambição da Igreja
Martinho nasceu na Saxônia, região do Sacro Império
Romano Germânico (SIRG), em 1483. Filho de uma família
de classe média, dedicou-se aos estudos do Direito
Canônico e Filosofia. Mais tarde, ingressou na ordem
religiosa dos agostinianos, tendo sido indicado para a paróquia
de Wittenberg, onde, além de padre, se tornou um respeitado
professor de Teologia.
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