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A DIPLOMACIA DO PORRETE
 

 


Quando Roosevelt chegou à presidência, já sabia o que queria: mostrar que quem mandava na América Latina
eram os Estados Unidos

 

Theodore Roosevelt foi presidente dos Estados Unidos de 1901 a 1909. Em um safári que realizou na África, antes de assumir a presidência, aprendeu um provérbio africano que iria marcar tristemente as relações entre seu país e a América Latina: “Quando for visitar seu adversário, fale em voz baixa, mas leve um grande porrete nas mãos”. Uma vez no governo, foi fiel a essa máxima de respaldar as ações americanas pela ameaça do uso da força. As relações dos Estados Unidos com a América Latina passaram a ser guiadas pela “diplomacia do porrete”– em inglês, Big Stick –, marcando o apogeu das intervenções militares norte-americanas.

Mas, muito antes disso, em 1823, a doutrina Monroe, com o lema “a América para os americanos”, já procurava afastar a influência européia sobre o continente americano. No contexto ainda das lutas de independência dos países hispanoamericanos, a declaração estadunidense chegou a ser vista como forte apoio contra as tentativas de recolonização da Espanha e da Santa Aliança. Naquele começo do século XIX, no entanto, a efetividade da doutrina Monroe era garantida mais pelo domínio inglês dos mares do que propriamente pelo poderio da nação estadunidense.

Os Estados Unidos, de todo modo, fortaleciam-se e expandiam seu território, a partir das treze Colônias, até chegar ao Pacífico, incorporando grande parte das terras mexicanas nas décadas de 1830 e 1840. Realizaram, ainda, outras intervenções, diretas ou indiretas, na América Central e no Caribe, mas apenas após a Guerra da Secessão e com o fim da escravidão é que se firmaram como potência capitalista moderna.

A segunda metade do século XIX foi marcada pelo auge das disputas imperialistas, com as nações européias – Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Bélgica – dividindo entre si a África e grande parte da Ásia. Por outro lado, Espanha e Portugal, especialmente a primeira, perderam grande parte das colônias que lhe restavam. Nas Américas, os Estados Unidos passaram a considerar o continente como sua área de influência exclusiva na repartição do mundo pelas potências imperialistas, que disputavam mercados para seus produtos e fontes de matérias-primas para suas indústrias.

Crise cubana
Na virada do século XIX para o XX, a maior parte dos investimentos estrangeiros e das dívidas contraídas pelos governos latino-americanos estava nas mãos dos capitalistas europeus. Essa situação, no entanto, foi revertida.

O primeiro marco da emergência dos Estados Unidos como potência imperialista dominante na América Latina foi a guerra contra a então decadente Espanha. Patriotas cubanos, liderados por Martí, lutavam pela independência da ilha, última
colônia espanhola no continente americano. O magnata das comunicações, William Hearst, passou a liderar, nos Estados Unidos, uma intensa campanha contra o domínio espanhol sobre Cuba.

A guerra foi declarada em 1898, quando um navio norte-americano, o Maine, explodiu no porto de Havana, em circunstâncias não esclarecidas. O conflito foi rápido e, pelo tratado de paz de Paris, a Espanha reconheceu a independência cubana e cedeu as ilhas de Porto Rico e Guam, além das Filipinas, ao inimigo.

Cuba continuou ocupada por tropas americanas até 1903, quando se aprovou uma Constituição que incluiu a Emenda Platt, que garantia aos Estados Unidos o direito de intervir na ilha, se considerassem seus interesses ameaçados.

Foi também assinado um tratado que cedeu, de forma perpétua (sim, vale até hoje), a base de Guantánamo, no norte da ilha, para uso das forças armadas americanas. Já em 1906, os fuzileiros navais americanos voltaram a Cuba em uma nova ocupação que se estendeu até 1909.

 

 

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