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ENTRE O SONHO E A REALIDADE
 




Como uma sombra do passado, o zepelin
continua vivo no
imaginário popular

 

Em Robur, o Conquistador, o escritor Júlio Verne descrevia uma aeronave futurista, mistura de navio e máquina voadora, capaz de dar a volta ao mundo levando seus passageiros em confortáveis cabines.Quando foi escrito, em 1886, esse livro era pura ficção. Mas, na primeira metade do século XX, os dirigíveis marcavam presença nos céus do mundo. Era um tempo em que navios aéreos navegavam por esse país entre as nuvens que Verne batizara de Icária, anunciando que seria um dia habitada por milhões de Ícaros.

Eles levavam passageiros, bombas e até aviões de caça em seu interior, indo muito além da aeronave imaginada por Verne.Essas máquinas, hoje imagens românticas de um passado distante, competiam de fato pelo domínio do espaço aéreo na guerra e na paz.

O glamour do Graf Zeppelin
Dentre todos os dirigíveis produzidos na primeira metade do século XX, os zepelins seriam seu símbolo mais duradouro.Obra do aristocrata alemão Ferdinand Adolf August Heinrich Graf (conde) von Zeppelin, era formado por uma estrutura rígida de metal leve em formato cilíndrico, dentro da qual estavam dispostos balões convencionais.

Até então os dirigíveis eram mera curiosidade, mas o tamanho dos zepelins permitiria seu uso no transporte de carga e passageiros – para ter uma idéia, o Luftschiff Zeppelin (LZ-1) tinha 128 metros de comprimento e 12 de diâmetro.


Em poucos anos seriam criadas linhas aéreas com vôos regulares, interrompidos apenas durante a I Guerra Mundial, quando essas aeronaves foram usadas como bombardeiros estratégicos.

Nem todos os barcos voadores alemães eram fabricados pela companhia Zeppelin, mas esse nome se tornaria seu sinônimo e, com o fim da guerra, o renascimento do transporte comercial com dirigíveis teria nos zepelins a sua investida mais bem-sucedida. Depois da morte do conde von Zeppelin em 1917, a Luftschiffbau Zeppelin Gesellschaft GmbH passou para o controle de Hugo Eckener. Ele manteve vivo o sonho graças a compromissos internacionais como a construção de um zepelin para a marinha norte-americana, o Los Angeles (antes LZ-126).

E esse foi apenas o começo de suas ambições, culminando em 1928 com o lançamento, em Friedrichshafen, do Graf Zeppelin (LZ-127), com 235 metros de comprimento – que se tornaria o mais celebrado dirigível da história em seus nove anos de atividade, executando 590 viagens e percorrendo mais de um milhão de milhas no ar. Com o ZL-127, dr.Eckener circunavegaria o globo em 1929, indo depois ao Pólo Norte. A partir de 1931, a Zeppelin estabeleu um serviço de transporte regular transatlântico, que tinha em um de seus extremos o Brasil.

O design décor dos cartazes promocionais da companhia Zeppelin prometiam uma aventura adornada com as cores da elegância, mas esse era um caso raro em que a propaganda ficava aquém daquilo que se pretendia promover. No início dos anos 1930, o Graf Zeppelin era o apogeu do transporte aéreo, levando dezenas de passageiros e carga a qualquer lugar do mundo a uma velocidade superior à dos maiores transatlânticos.

 

E foi por isso que um jornal pernambucano anunciou a primeira passagem do Graf Zeppelin pelos céus brasileiros como “a chegada do futuro”.Realizado em 1930, esse vôo passou por Recife, pousando em Jiquiá, onde havia sido erguida uma torre de atracação. Sob o Comando do próprio Eckener, o dirigível continuou viagem até o Rio de Janeiro, onde pousou no Campo dos Afonsos. Depois dessa visita preliminar, seguiram-se mais três viagens em 1931 e nove em 1932, quando já estava oficializada a linha aérea que ligava Friedrichshafen e Frankfurt a Recife e ao Rio, com escalas em Barcelona e Sevilha.

 

 

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