 |
O
New Deal entrou para a história como um dos
mais importantes
planos econômicos mundiais,
capaz de unir teoria e prática e
firmar
a liderança global
de um país
|
Passados
os anos duros da Primeira Guerra Mundial, a economia global
renasceu fortalecida nos anos 1920. Sobre os escombros da
Europa abalada pelos conflitos, emergia uma nação
líder: os Estados Unidos, empenhados na produção
e na
expansão. Os europeus, beneficiários diretos,
adquiriam deles bens e recursos financeiros para recuperar
o continente devastado. Os países periféricos,
beneficiários indiretos, supriam os americanos com
as matérias-primas que moviam as empresas e uma sociedade
de consumo em desenvolvimento sem precedentes.
Mas a euforia global estava com os dias contados. Na verdade,
viria a ser o caminho para um abismo que estava se delineando.
A referência fatal foi a quebra da Bolsa de Nova York,
em 1929, que deu início à Grande Depressão.
Mas, se o capitalismo viveu a sua mais grave crise, dela surgiu
um programa de salvação que as ciências
econômicas registram como o primeiro e talvez o mais
importante laboratório em que se uniram a teoria e
a prática: o New Deal, que recolocou os Estados Unidos
no prumo, definitiva e incontestavelmente, como a maior potência
mundial, já às portas da Segunda Guerra.
EXPLOSÃO
ARTIFICIAL
O contexto da crise de 1929 deixa clara a inevitabilidade
do desastre. A partir de 1925, a expansão desenfreada
da produção americana começou a acumular
problemas. Para sustentar o parque produtivo, o sistema financeiro
multiplicou-
se várias vezes, chegando à impressionante cifra
de cinco mil
bancos registrados no Federal Reserve (Fed, o Banco Central
dos EUA). A concessão de financiamentos escorria feito
água, com poucas ou quase nenhuma garantia por parte
dos tomadores.
Os banqueiros acreditavam que a economia vigorosa era a própria
garantia e emprestavam muito além do que seus patrimônios
poderiam cobrir. Eles próprios não contavam
com as garantias como as que o atual sistema regulatório
impõe. O
pior foi que, paralelamente, a Europa se recuperava e começava
a depender menos dos Estados Unidos. Comprava cada vez menos
produtos e protegia-se da invasão de importados, com
medidas protecionistas.
Aos poucos, foi se consumando uma crise de superprodução.
A economia, de uma convivência conveniente com a inflação,
pois a procura por bens incentivava a escalada dos preços,
passou a sofrer com a queda abrupta dos preços. Daí
para a formação de estoques, paralisação
da produção e desemprego
foi um passo tão rápido quanto o estouro da
"quinta-feira negra" em 25 de outubro de 1929.
|