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DIPLOMACIA, LIDERANÇA E ARMAS
 

 

Como militar agressivo ou primeiro-ministro conciliador, Sharon defendeu com braço forte a
posição de Israel na questão palestina

 

Até o fechamento desta revista, Ariel Sharon continuava em coma profundo no hospital Hadassah, em Jerusalém. Vítima de um acidente vascular cerebral e saído de uma delicada cirurgia no intestino, poucos imaginavam ver o poderoso primeiro-ministro de Israel sucumbir assim. Marcante pela autoridade que exerceu diante do exército e político de atitudes polêmicas, Sharon representou o auge do braço forte israelense diante da questão palestina.


Ele nasceu no dia 27 de fevereiro de 1928, na véspera da grande depressão econômica, em Kfar Mahal, aldeia ao norte de Tel Aviv, na região da Palestina. Aos 14 anos de idade, em plena 2ª Guerra Mundial, quando o mundo acompanhou o holocausto nazista, Sharon entrou na Gadna, unidade paramilitar de jovens judeus e, mais tarde, em 1945, na Haganah, a força militar clandestina precursora do Exército do Estado de Israel. Com apenas 20 anos, destacou-se na Guerra da Independência de Israel (1948-49), marco inicial dos conflitos árabe-israelenses, e projetou-se na carreira militar.


A guerra teve início após a partilha da Palestina organizada pela ONU, em 1948, que efetivou as fronteiras israelenses e culminou no desaparecimento do Estado palestino.

 

Primeira intifada
Em 1956, com 28 anos, Sharon ocupou o cargo de oficial da inteligência israelense e liderou a Guerra de Suez, na Península
do Sinai, contra os egípcios. O conflito foi considerado bastante violento e até mesmo desnecessário. E não foi o primeiro incidente que manchava a imagem do militar. Em 1953, como líder da Unidade 101 – criada para combater árabes que lutavam contra a criação de Israel –, comandou uma violenta operação na aldeia de Kibya, na Cisjordânia, na qual 45 casas foram explodidas e 69 moradores morreram, entre eles mulheres e crianças. Apesar das opiniões contrárias e da polêmica, nascia naquele momento a idéia de que para cada ato terrorista árabe seria dada uma resposta violenta do exército israelense.


Sharon comandou a divisão de blindados, em 1967, na Guerra dos Seis Dias, que resultou no surgimento dos territórios ocupados. Na Guerra de Yom Kippur, em 1973, liderou a captura do Terceiro Exército do Egito, colocando fim à resistência árabe e ao conflito. Na mesma década, assumiu o posto de comandante militar no sul de Israel, na faixa de Gaza, onde exerceu importante papel na efetivação do controle da região pelos israelenses.


A carreira militar de Sharon teria o seu desfecho em 1982. Como Ministro da Defesa, organizou uma ofensiva chamada Operação Paz, na Galiléia, contra grupos extremistas palestinos no território libanês. Mesmo vitorioso no seu intuito, Sharon não conteve o massacre organizado por milícias cristãs nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila, o que resultou na destituição de seu cargo. Nessa mesma década, ocorria a primeira intifada (“levante” em árabe), que marcaria a reação de alguns palestinos à atividade israelense nos territórios ocupados, caracterizando uma nova fase dos conflitos entre árabes e judeus.

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